Faróis: Eduardo Escorel

Ele está lançando esta semana o longa-metragem Paulo Moura – Alma Brasileira, doc-tributo a um dos maiores músicos que o Brasil já teve. Independente disso, Eduardo Escorel é presença constante no cenário cinematográfico em diversas atribuições.

Como diretor, é reconhecido por filmes marcantes como Lição de Amor (1975), Ato de Violência (1980) e O Cavalinho Azul (1984). No documentário, praticamente estreou o cinema direto no Brasil com Bethânia Bem de Perto (1966), dirigiu o memorável Chico Antonio, um Herói com Caráter (1983) e ainda uma tetralogia sobre as revoluções no Brasil do século XX, mais os longas Vocação do Poder (com José Joffily, 2005) e O Tempo e o Lugar (2008), entre outros.

Como montador, deu forma final a alguns clássicos, entre os quais O Padre e a Moça, Terra em Transe, Macunaíma, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, Cabra Marcado para Morrer e Santiago. Foi um dos pioneiros do som direto entre nós, apenas um dos traços que o configuram como uma rara combinação de talento técnico e intelectual no cinema brasileiro. Sua faceta de pensador rigoroso e pesquisador minudente pode ser verificada na coletânea de ensaios Adivinhadores de Água (Cosac Naify, 2005).

Escorel esteve à frente da restauração da obra de Leon Hirszmann e coordena o curso de Pós-graduação em Documentários da Fundação Getúlio Vargas, um dos polos mais ativos de discussão do assunto no Rio. Além de tudo isso, e de outras coisas que devem estar faltando aqui, ele mantém o blog Questões Cinematográficas, em que faz críticas de filmes e discute a atualidade do cinema brasileiro e internacional.

Solicitado a atualizar sua lista de filmes-faróis, ele se manteve fiel ao estilo sucinto da consulta anterior, em 2007. São eles:

10 faróis em 20 anos

1. Shoah (1985) – Claude Lanzmann
2. Diário 1973-1983 – David Perlov
3. Esta Secretária Eletrônica não Toma Recados (1978) – Alain
Cavalier
4. Videogramas de uma Revolução (1992) – Harun Farocki & Andrej Ujica
5. Elegia a Alexandre (1993) – Chris Marker
6. Vozes Espirituais (1994) – Alexander Sokurov
7. O Turbilhão: Uma Crônica Familiar (1997) – Péter Forgács
8. Tishe! (2002) – Victor Kossakovsky
9. As Cinco Obstruções (2002) – Jorgen Leth & Lars Von Trier
10. O Homem Urso (2005) – Werner Herzog

8 razões para 10 faróis:

  • Recusa do arquivo & bom uso do arquivo.
  • Exegese da imagem, indo além do visível, por oposição à imagem usada como ilustração.
  • Narração na primeira pessoa e diretor como personagem.
  • Valorização do tempo, resistindo à tentação de cortar, por oposição ao plano curto.
  • Desdobramento do olhar e delimitação do espaço, através da visão, da lente e da janela – delimitação do espaço.
  • Interdição – restrições auto-impostas como princípio criativo.
  • Imprevisto – a magia do inesperado, do que ocorre fora de controle.
  • Incorporação do material bruto.
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