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	<title>Faróis do Cinema &#187; Malu De Martino</title>
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		<title>Curto-circuito de literatura-cinema-arte</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 13:17:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Luiz Carlos Lacerda]]></category>
		<category><![CDATA[Malu De Martino]]></category>
		<category><![CDATA[encontros]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra 2011]]></category>

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		<description><![CDATA[por Patricia Rebello Ele acha que roteiro é uma peça de literatura, no sentido de que informa o desenvolvimento de uma história. Ela acha que roteiro não tem nada de literário, e que é a descrição dos enquadramentos do filme, &#8230; <a href="http://www.faroisdocinema.com.br/2011/12/curto-circuito-de-literatura-cinema-arte/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Patricia Rebello</strong></p>
<p><a href="http://www.faroisdocinema.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/Encontro-Bigode-Malu.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1243" title="Foto: Maria Eduarda Tavares" src="http://www.faroisdocinema.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/Encontro-Bigode-Malu.jpg" alt="Foto: Maria Eduarda Tavares" width="800" height="358" /></a></p>
<p>Ele acha que roteiro é uma peça de literatura, no sentido de que informa o desenvolvimento de uma história. Ela acha que roteiro não tem nada de literário, e que é a descrição dos enquadramentos do filme, o quinhão de literatura que se transforma em imagem. Ele veio da literatura. Ela do vídeo. Ele chegou no cinema através das sessões de desenho animado do <em>Tom &amp; Jerry </em>no Metro Copacabana. Ela não gosta de desenhos animados, e entrou na tela grande pela porta dos museus de arte. E talvez porque a beleza no cinema esteja na promoção de encontros entre heterogeneidades e diferenças, Luiz Carlos Lacerda, o &#8220;Bigode&#8221;, e Malu De Martino são grandes amigos. E foi justamente a cumplicidade nas diferenças que deu o tom do terceiro encontro da II Mostra Faróis do Cinema, onde o curto-circuito entre cinema, literatura e arte, o cinema americano e, claro, filmes que &#8220;dão tesão de fazer cinema&#8221;, foram discutidos com muito bom-humor.</p>
<p>Mas não são apenas as diferenças que unem os dois realizadores. Logo de saída, o mediador Carlos Alberto Mattos lançou uma provocação à mesa: &#8220;Será que, de uma maneira inversamente proporcional ao espaço ocupado no mundo inteiro, o cinema americano não influencia tanto assim o cinema brasileiro?&#8221;. Malu e Bigode concordaram que existe, sim, uma influência do cinema americano por aqui. Mas de um certo cinema. &#8220;Cinema independente americano é independente como em qualquer lugar do mundo. Acho que o cinema deles tem a ver com o trabalho da gente&#8221;, disse Malu. Já Bigode comentou sobre o impacto da descoberta dos filmes de Orson Welles e Andy Warhol. &#8220;E de Billy Wilder, que fazia filmes de estúdio sem deixar a coisa ficar apenas na indústria&#8221;, disse ele, lembrando de <em>Quanto Mais Quente Melhor</em> (&#8220;foi um filme precursor ao colocar a questão da sexualidade de uma forma amoral&#8221;, disse). Vale dizer que um dos filmes-faróis de Malu De Martino é uma das pérolas da cinematografia wilderiana, <em>Crepúsculo dos Deuses.</em> &#8220;A primeira cena do filme&#8221;, disse ela, &#8220;que mostra o cadáver na piscina gera um tremendo impacto quando você descobre que é o cadáver que vai narrar a história. Isso é cinema&#8221;, conta. Vale também lembrar que <em>For All</em>, o filme de Bigode que está em cartaz na Mostra, gira em torno da presença de americanos em uma base militar em Natal (RN) durante a II Guerra Mundial, e todas as (novas) relações morais e amorais que se estabelecem a partir do contato. &#8220;Me interessa a transgressão&#8221;, disse Bigode.</p>
<p><a href="http://www.faroisdocinema.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/Bigode.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1246" title="Foto: Maria Eduarda Tavares" src="http://www.faroisdocinema.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/Bigode.jpg" alt="Foto: Maria Eduarda Tavares" width="302" height="326" /></a>Filho de João Tinoco de Freitas, importante produtor e financiador de filmes nos anos 1950, seria natural pensar que o cinema era uma carta marcada no destino de Bigode. Mas não. &#8220;Eu achava um saco ficar nos bastidores. Nunca pensei em fazer cinema. Meu primeiro contato foi durante a filmagem de <em>Balança Mas Não Cai</em>, baseado em um programa de rádio. Um dia eu fui ao estúdio e me botaram em uma fila para ganhar presente do Primo Rico (Paulo Gracindo). A gente pegava o saquinho e saía de cena. Quando eu abri o &#8220;presente&#8221;, descobri que tinha só serragem. Pensei: <em>o cinema é isso então, mentiroso e pobre</em>&#8220;. Com o bom-humor que lhe é peculiar, Bigode continuou: &#8220;Eu escutava o povo lá de casa falar de uma das produções de papai, <em>Rio 40 Graus,</em> e achava que era coisa de previsão do tempo, não entendia nada&#8221;. A luz do projetor só foi acender para ele no dia que, acompanhado do pai, foi assistir a <em>Ladrões de Bicicleta</em>, um de seus faróis. &#8220;Eu escutava todo mundo falar sobre esse filme nas reuniões de papai com o grupo que, mais tarde, iria formar o Cinema Novo. Um cinema político, que falasse da realidade social. Nessa época, o cinema que eu conhecia era entretenimento. Quando vi <em>Ladrões de Bicicleta</em>, percebi que o cinema também serve para contar histórias pequenas, humanas, a partir de uma realidade terrível. Foi um impacto enorme compreender que podia fazer algo mais que contar histórias, sem precisar, necessariamente, servir a uma causa&#8221;. Uma explicação semelhante justifica a presença da animação <em>Sinfonia Amazônica</em> na sua lista de faróis. &#8220;Acostumado que estava com os desenhos de <em>Tom &amp; Jerry, </em>me surpreendi ao ver curumins, araras e papagaios falando português, elementos do folclore brasileiro, na tela. O cinema tornava isso possível.&#8221;</p>
<p><a href="http://www.faroisdocinema.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/Malu.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1247" title="Foto: Maria Eduarda Tavares" src="http://www.faroisdocinema.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/12/Malu.jpg" alt="Foto: Maria Eduarda Tavares" width="278" height="335" /></a>Já Malu faz parte de uma geração que abriu caminho a golpes de foice durante a década de 1980, quando o hiato entre o cinema nacional e o grande público foi estendido ao extremo. Ela começou na fotografia, em São Paulo, lapidada nos trabalhos com fotógrafos de peso, como Vânia Toledo, Paulo Rocha e Alberto Travassos. &#8220;Foi assim até o Marcelo Machado, um dos fundadores da produtora independente Olhar Eletrônico, me convencer a ir para Nova York estudar vídeo&#8221;. O curso de seis meses se estendeu por um período de dois anos. De volta ao Brasil, Malu desembarcou na nova cultura do vídeo que começava a proliferar. Fez videoclipes, vídeos de arte sobre instalações e exposições. Foi desse circuito entre arte e vídeo que surgiu sua primeira produção para o cinema, <em>Ismael &amp; Adalgisa</em>, uma mistura de documentário e ficção sobre o triângulo afetivo-intelectual entre Ismael e Adalgisa Nery e Murilo Mendes. &#8220;Tenho muito interesse no cinema como representação plástica, e o cinema expressionista alemão é a síntese dessa ideia&#8221;, disse ela ao comentar um de seus faróis, <em>O Gabinete do Dr. Caligari</em>.</p>
<p>A relação entre cinema e literatura também tem forte apelo nos dois diretores. &#8220;Sou um leitor compulsivo&#8221;, disse Bigode, acrescentando que a mistura entre escrita e imagem, a ênfase no discurso, foram os elementos que o aproximaram de realizadores como Jean-Luc Godard (<em>Pierrot le Fou</em> é um de seus faróis). &#8220;Me sinto atraído pela maneira como o Godard desrespeita regras estabelecidas, os cânones sagrados&#8221;. Esse gosto pela transgressão também se estende na relação entre literatura e cinema. &#8220;A realidade é tão mais cinematográfica que não é possível permanecer prisioneiro da realidade dos livros. Mas as pessoas são caretas, gostam de uma camisa de força&#8221;, comentou. &#8220;É preciso fazer o cinema abrir as portas para a realidade, para daí então ele se transformar em outra coisa&#8221;. Foi exatamente o que impressionou Malu ao cotejar a leitura de <em>Vidas Secas</em>, de Graciliano Ramos, ao filme de mesmo título adaptado para o cinema por Nelson Pereira dos Santos. &#8220;Quando você lê um livro, você está fazendo suas próprias imagens, projetando seus sentimentos, fazendo seu filminho pessoal. Da primeira vez que vi <em>Vidas Secas</em> fiquei encantada em como era possível transformar aquele filminho que era só meu em algo que podia alcançar muito mais gente.</p>
<p><strong>Patricia Rebello</strong></p>
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		<title>Faróis: Malu De Martino</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 13:02:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Malu De Martino]]></category>
		<category><![CDATA[Faróis de cada um]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://www.faroisdocinema.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/11/Malu-de-Martino1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-987" src="http://www.faroisdocinema.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/11/Malu-de-Martino1.jpg" alt="" width="254" height="358" /></a>Como Esquecer</em>, um bonito filme sobre perda e superação, transformou-se em <em>cult</em> da diversidade sexual e mantém um blog ativo com mais de 100 mil acessos. Teve ótima repercussão também no exterior e chamou uma atenção inédita para o nome da sua diretora, Malu De Martino. Mas a trajetória de Malu, iniciada em 1983 com um filme de conclusão de curso em Nova York, tem matizes muito variados. Seu longa anterior, <em>Mulheres do Brasil</em>, reunia histórias sobre a condição feminina em diversos estados brasileiros. Ela já realizou documentários para TV e muitos vídeos sobre artes plásticas.</p>
<p>Quem pesquisa sobre a Geração 80, por exemplo, não pode deixar de passar pelo seu vídeo <em>Tela s/ Tinta </em>(1986), que recenseava o movimento, foi exibido na 18ª Bienal e tornou-se referência. Naquela década, ela documentava regularmente as exposições do MAM, trabalho que a conduziu ao média-metragem <em>Ismael &amp; Adalgisa</em>, um mix de doc e fic sobre o triângulo afetivo-intelectual entre Ismael Nery, Adalgisa Nery e Murilo Mendes.</p>
<p>A arte do desenho estará de volta no próximo filme de Malu, um doc provavelmente muito lírico sobre a paixão da ilustradora botânica Margaret Mee pela flora amazônica. É o que se deduz do <a href="http://vimeo.com/26586371" target="_blank"><em>teaser </em>publicado no Vimeo</a>, contendo imagens já colhidas na Amazônia. Para concluir <em>Margaret Mee e a Flor da Lua, </em>Malu ainda vai filmar no Rio de Janeiro e na Inglaterra. Margaret será apresentada como artista e como pioneira de um pensamento ecológico nos anos 1950.</p>
<p>A seguir, os filmes escolhidos por Malu De Martino como seus faróis no cinema. Entre clássicos e contemporâneos, nota-se seu gosto pelas junções do cinema com a literatura e as artes plásticas:</p>
<p><strong><em>Crepúsculo dos Deuses</em></strong>, de Billy Wilder<br />
Me impressiona muito a cena de Gloria Swanson descendo a escada (nunca esqueci). Acho cruel a loucura da estrela decadente e bastante curiosa a narração feita por um morto.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><em>O Gabinete do Dr Caligari</em></strong>, de Robert Wiene<br />
Tenho muito interesse no cinema como representação plástica. O cinema expressionista é para mim a síntese dessa ideia. De todos os que adoro, o <em>Gabinete</em>&#8230; é o primeiro que vem à memória.</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>Festim Diabólico (The Rope)</em></strong>, de Alfred Hitchcock<br />
Sou viciada em Hitchcock , e <em>The Rope</em>, da maneira que foi filmado, faz dele um exemplo de que o enredo transcende a pirotecnia cinematográfica, muitas vezes traduzida em ação. Fico presa na tela sempre que assisto.</p>
<p><strong><em>Vidas Secas</em></strong><strong>, </strong>de Nelson Pereira dos Santos<br />
Foi o primeiro filme do Nelson a que assisti e fiquei muito impressionada com o fato de a ideia ser tão eficaz ao ser passada com tão poucas palavras (diálogos). Acho que foi aí que comecei a ver a importância da imagem. Foi também a primeira vez que li o livro e vi o filme, o que me fez descobrir o casamento perfeito: literatura e cinema.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><em>Macunaíma</em></strong><strong>, </strong>de Joaquim Pedro de Andrade<br />
Não tenho certeza mas acho que foi o primeiro filme brasileiro que vi. Ele me fez ver o Brasil de outra forma. Apesar de não ser muito fã de comédias, tenho grande admiração pelo humor dele.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><em>Amor Bandido</em></strong>, de Bruno Barreto<br />
Gosto do filme principalmente pela maneira de mostrar Copacabana. Me impactou  muito a atuação do Paulo Gracindo. Acho um filme “sujo” no bom sentido, e o casamento dessa estética com o submundo me pareceu muito adequada.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><em>Solaris</em></strong>, de Andrei Tarkovsky<br />
Adoro Tarkovsky, e <em>Solaris</em> é o meu preferido. Sempre volto a assistir. Gosto muito da maneira com que ele trabalha a perda. Angustiante e belo.</p>
<p><strong><em>A Mulher do Lado</em></strong>, de François Truffaut<br />
Para mim o melhor filme de Truffaut. Misto de drama e tensão crescente como poucas vezes vi no cinema. A direção de atores chega à perfeição quando Fanny Ardant  surta sob o olhar de Gérard Depardieu.</p>
<p><strong><em>Amor à Flor da Pele</em></strong>, de Wong Kar-Wai<br />
A fotografia e a trilha sonora me encantam. A direção de arte <em>over</em> e <em>kitsch</em>, também. Tudo isso sob um ponto de vista oriental com sentimentos nada à flor da pele. Uma ótima combinação para mostrar como os sentimentos mais profundos podem ser trabalhados de formas tão diferentes quando se trata de cinema.</p>
<p><strong><em>O Escafandro e a Borboleta</em></strong>, de Julian Schnabel<br />
Voltando à ideia do cinema como suporte das artes plásticas, esse filme é um dos meus preferidos. Das posições de câmera inusitadas à narração super bem aplicada, <em>O Escafandro&#8230;</em> é um quadro pintado por aquele que considero um artista plástico dos melhores e que não se contenta com uma ou outra tela, e sim com todas as possíveis.</p>
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