Sinopses 2010

Ana Alex Viany, 1955. 25 min

Episódio do filme internacional A Rosa dos Ventos, supervisionado por Joris Ivens, em torno do tema da fome. Escrito por Jorge Amado e rodado na Bahia, narra a viagem de um grupo de migrantes nordestinos rumo a São Paulo. No caminho, um operário desmonta um plano de exploração de mão-de-obra e um parto tem que ser realizado à beira da estrada. ■ Farol de Octavio Bezerra

Ana Cristina César – A poesia é uma ou duas linhas e por trás uma imensa paisagem João Moreira Salles, 1990. 9 min

Vídeo-tributo à memória da poeta Ana Cristina César (1952-1983), utiliza gravações de sua voz e canção de Billie Holiday numa narrativa experimental. Passa pelas principais referências literárias da poeta: Drummond, Bandeira, Baudelaire, T.S. Eliot. ■ Farol de Bebeto Abrantes

Arraial do Cabo Paulo César Saraceni e Mário Carneiro, 1959. 17 min

A instalação de uma indústria química em reduto de pescadores, no litoral do Rio de Janeiro, interfere nas formas tradicionais de vida do local, modifica as relações dos habitantes e determina o afastamento de muitos da aldeia em busca de trabalho. ■ Farol de Joel Pizzini Homenagem a Mário Carneiro

Até Quando? Belisário Franca e Bebeto Abrantes, 2005. 51 min

Por trás das estatísticas de assassinatos de jovens nas periferias do Rio e de Recife está a grande dor das vítimas ocultas desses números: parentes e amigos de jovens chacinados e de policiais mortos em serviço. Por meio de depoimentos, cenas de ação policial e entrevistas, o documentário busca evidenciar a banalização da morte e da violência.

Áurea Zeca Ferreira, RJ, 2009. 16 min

Uma noite na vida da cantora Áurea Martins, de 70 anos. A preparação sem camarim, o show e a volta anônima para casa no bairro distante. Uma trabalhadora da noite, como tantos. ■ Sessão Novas Luzes

Uma Avenida Chamada Brasil Octavio Bezerra, 1988. 85 min

Crônica sobre a avenida que dá acesso ao Rio de Janeiro, passando por diversas favelas e bairros operários. Assaltos e violência dos esquadrões são alguns dos fatos capturados por uma câmera que rodou pela Avenida Brasil ao longo de seis meses, flagrando o crime, o vício, as perversões, a polícia, os bandidos e uma multidão de deserdados convivendo com o medo, as ameaças constantes e a morte. Fotografia de Miguel Rio Branco.

Bahia de Todos os Santos Maurice Capovilla, 1974. 50 min

Adaptação do livro de Jorge Amado, que tem como subtítulo “Guia das ruas e mistérios de Salvador”. O filme recorda antigos heróis e encontra um deles vivo, Mestre Pastinha, já doente e nos últimos dias de vida. Conversa com Mário Cravo e Carybé. Nas ladeiras de Salvador depara-se com o jovem Gilberto Gil, que canta uma música ainda inédita. Depois entra no carnaval, na pista do Trio Elétrico de Dodô e Osmar. Produzido para a série Globo Repórter Documento.

Bailão Marcelo Caetano, SP, 2009. 16 min

A memória de uma geração visitada por seus personagens. O cenário é um tradicional encontro de gays sessentões numa casa noturna do centro de São Paulo. O enredo, a urgência da vida. E o Bailão, o ponto de convergência dessas histórias. ■ Sessão Novas Luzes

Borinage Misère au Borinage. Joris Ivens e Henri Storck, Bélgica, 1933. 34 min

Documentário sobre a terrível condição dos mineiros da região de Borinage, que enfrentaram violência policial e foram despejados de suas casas após uma greve em 1932. Os diretores contaram com a ajuda dos trabalhadores e se posicionaram a seu lado na batalha pela sobrevivência. ■ Farol de Vladimir Carvalho

Cabra Marcado para Morrer Eduardo Coutinho, 1981. 116 min

No início da década de 1960, o líder camponês João Pedro Teixeira é assassinado por ordem de latifundiários de Pernambuco. As filmagens de sua vida, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. Dezessete anos depois, o diretor retoma o projeto e procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos, dispersados pela repressão. Um clássico do documentário brasileiro que refaz a História através do cinema. ■ Farol de Vladimir Carvalho, Manfredo Caldas, Fabiano Maciel, Marcos de Souza Mendes, Sérgio Muniz, Tetê Moraes, Jean-Claude Bernardet, Thereza Jessouroun

Corações e Mentes Hearts and Minds. Peter Davis, 1974. 112 min

A mais potente investigação jamais feita sobre a Guerra do Vietnã, que se amplia para uma reflexão sobre o militarismo e a presença do racismo na cultura dos EUA. Baseia-se em imagens da guerra, entrevistas com ex-combatentes americanos e sobreviventes vietnamitas para evidenciar a humanidade do “inimigo” que a propaganda tentou apagar. Vencedor do Oscar de melhor documentário. ■ Farol de Sylvio Back e Tetê Moraes

Criador de Imagens: Ensaio sobre o Olhar de Mário Carneiro Miguel Freire e Diego Hoefel, 2007. 15 min

Momento intimista com Mário Carneiro, no qual ele revela encontros e caminhos que o levaram a interagir com o mundo através da pintura, da gravura e da fotografia. Reflexões que vêm de Arraial do Cabo e Porto das Caixas para a centena de filmes que iluminou. ■ Homenagem a Mário Carneiro

Enigma de um Dia Joel Pizzini, 1996. 20 min

Um vigia de museu, motivado pelo quadro homônimo de De Chirico, é introduzido, através do cotidiano, no universo metafísico do pintor italiano. Fotografia de Mário Carneiro. ■ Homenagem a Mário Carneiro

Eu, um Negro Moi, un Noir. Jean-Rouch, França/Costa do Marfim, 1958. 72 min

Um grupo de amigos vive de biscates na Costa do Marfim. Aceitando a proposta de Rouch, cada um imaginou ser um personagem, inventou uma história e encenou-a pela cidade. Depois, assistindo às cenas captadas sem som, eles recriaram as falas que haviam improvisado. Assim o filme põe em xeque a situação colonial e as fronteiras entre ficção e realidade. ■ Farol de Walter Salles

Faces Faces. John Cassavetes, EUA, 1968. 130 min

A desintegração de um casamento é dissecado em imagens filmadas em 16mm, preto e branco, com alto contraste e uma improvisação visceral por parte do elenco. O filme segue um capitão de indústria e sua mulher nas fúteis tentativas de escaparem da angústia de sua união nos braços de outros. Um dos maiores momentos do então jovem cinema independente americano. ■ Farol de Eduardo Coutinho

Guerra dos Meninos Sandra Werneck, 1991. 52 min

Documentário pioneiro baseado em livro-reportagem de Gilberto Dimenstein. A delinquência juvenil e a prostituição infantil como alternativas de sobrevivência, a violência policial, a institucionalização do matador na organização de grupos de extermínio, a impunidade generalizada e a banalização da morte são reveladas através do contato frontal com personagens que vivenciam diariamente a violenta realidade brasileira.

Haruo Ohara Rodrigo Grota, PR, 2010. 16 min

A vida e a obra do imigrante, agricultor e fotógrafo japonês Haruo Ohara (1909-1999), contada pela ótica de suas próprias fotografias. Este curta fecha a Trilogia do Esquecimento, de Rodrigo Grota, composta também por Satori Uso (2007) e Booker Pittman (2008). ■ Sessão Novas Luzes

Hércules 56 Silvio Da-Rin, 2006. 93 min

Participantes do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick em 1969 e prisioneiros trocados pelo diplomata relembram aqueles dias de luta armada contra o regime militar. Os detalhes da operação, a viagem dos presos políticos para o exílio e as consequências do episódio são analisados numa espécie de balanço, considerando a perspectiva do Brasil contemporâneo.

Hiroshima Meu Amor Hiroshima Mon Amour. Alain Resnais, França/Japão, 1959. 90 min

Jovem francesa participa de um filme sobre a paz em Hiroshima e passa a noite com um arquiteto japonês que a faz lembrar-se de seu primeiro namorado, um soldado alemão, na cidade de Nevers durante a II Guerra Mundial. Primeiro longa de Alain Resnais, escrito por Marguerite Duras. Sua narrativa entrecortada entre passado e presente, memória e incertezas quanto ao futuro exerceu enorme influência sobre o cinema moderno. ■ Farol de Vladimir Carvalho e Jorge Bodanzky

O Homem com a Câmera Chelovek s Kino-Apparatom. Dziga Vertov, URSS, 1929. 68 min

Um dia na vida de Odessa e outras cidades soviéticas, narrado numa frenética sucessão de efeitos óticos, movimentos de câmera e recursos de montagem. Homens, cidades e máquinas interagem dinamicamente. O cinegrafista (kinok) é o personagem principal. Ele revela a realidade através do cinema-olho, um dispositivo capaz de ir muito além da visão humana e de romper os cânones narrativos então em voga. Um dos mais influentes documentários de todos os tempos. ■ Farol de Silvio Da-Rin, Eryk Rocha, Maurice Capovilla, Sandra Werneck, Evaldo Mocarzel, Cao Guimarães, Carlos Adriano, Jean-Claude Bernardet, Victor Lopes, Vivian Ostrovsky

O Homem de Aran Man of Aran. Robert Flaherty, Inglaterra, 1934. 76 min

Clássico documentário, em boa parte ficcionado, sobre a dura vida dos habitantes das ilhas Aran, na Irlanda. O filme enfoca a saga da pesca, da caça e da cultura de batatas numa região de topografia árida e acidentada, onde a sobrevivência depende de uma vitória cotidiana contra as agruras da natureza. Flaherty escalou o “elenco” com moradores locais e criou imagens poéticas de imorredoura beleza. ■ Farol de Vladimir Carvalho, Walter Salles, João Batista de Andrade

Os Homens Verdes da Noite Maurice Capovilla, 1977. 44 min

Documentário sobre figuras da noite carioca e paulista: músicos de boate, crooners, entertainers, uma cantora transformista. Eles trabalham na madrugada, dormem de dia e raramente tomam sol. Histórias de boemia e vida dura, algumas esfuziantes e outras tristes. Participações de Mário Lago, Grande Otelo, Carlos Machado, Carmen Costa e outros. Produzido para a série Globo Repórter, mas não exibido na época.

Iberê Camargo – Pintura, Pintura Mário Carneiro, 1983. 12 min

Registro da criação artística de Iberê Camargo no período entre 1973 e 1981. O depoimento do artista se mescla à execução de um retrato, demonstrando a arte, a técnica e a inspiração do pintor. ■ Homenagem a Mário Carneiro

Iracema – uma Transa Amazônica Jorge Bodanzky e Orlando Senna, 1974. 90 min

Em contraste com a megalômana propaganda oficial da ditadura, uma câmera sensível revelava os problemas que a estrada Transamazônica trazia para a região: desmatamento, queimadas, trabalho escravo, prostituição infantil. Numa mescla de documentário e ficção, o filme narra o encontro da jovem Iracema com o caminhoneiro Tião Brasil Grande. Proibido pela censura durante seis anos, ganhou prêmios em festivais internacionais e, em 1980, quando liberado, venceu o Festival de Brasília. ■ Farol de Eryk Rocha, Aurélio Michiles, Carlos Nader, Cezar Migliorin, Fabiano Maciel

Mãos de Outubro Vitor Souza Lima, PA, 2010. 21 min

Outubro de festa. Romeiros, operários, escultores, estilistas, decoradores, guardas da Santa, fogueteiros, promesseiros, tocadores de sinos. Todas as classes, todas as idades. Todas as mãos que constroem a maior manifestação de fé do Brasil, o Círio de Nazaré, em Belém do Pará. ■ Sessão Novas Luzes

Meninas Sandra Werneck, 2005. 71 min

Evelin tem 13 anos e está grávida de um ex-traficante. Aos 15 anos, Luana diz que planejou sua gravidez. Edilene, 14 anos, espera um filho de Alex, que também engravidou Joice. O documentário acompanha por um ano o cotidiano dessas meninas-mães em favelas e bairros populares do Rio. O período da gestação – em que a espera é a única grande aliada – coincide com o fim de seus sonhos infantis.

Os Mestres Loucos Les Maîtres Fous. Jean-Rouch, França/Gana, 1955. 26 min

Habitantes de uma aldeia de Gana participam de uma seita cujos membros, em transe, personificam figuras do colonialismo inglês. No auge do ritual de possessão um animal é sacrificado e comido pelos “mestres loucos” – trabalhadores que logo retomarão seu cotidiano sem mistério. ■ Farol de Mário Carneiro, Nelson Pereira dos Santos

Nós Menq. Artavazd Pelechian, URSS, 1969. 23 min

Imagens extraordinárias da natureza, do povo e do trabalho compõem um ensaio poético sobre a identidade da nação armênia. É a vida que segue em meio às dificuldades de um cotidiano árduo e arriscado, na base da resiliência e da fé.

Nova Terra Nieuwe Gronden. Joris Ivens, 1933. 29 min

Durante três anos Ivens e sua equipe documentaram a construção de uma grande represa na baía Zuiderzee, na Holanda, enfatizando o caráter monumental da obra e o papel dos trabalhadores. O filme conclui com uma crítica à especulação capitalista.

Ociel del Toa Nicolás Guillén Landrián, Cuba, 1965. 16 min

Um dos mais admirados documentários cubanos, é a visão poética e idealizada da vida ao redor do rio Toa, na província de Oriente. O diretor, também um pintor e sobrinho do poeta Nicolás Guillén, ficou encantado com a beleza do lugar e de sua gente. No filme, as imagens e sons falam por si. ■ Farol de Eryk Rocha

Pachamama Eryk Rocha, 2009. 105 min

Uma pequena odisséia de 30 dias pela realidade amazônica e andina, que revela um continente em ebulição, mas perpassado por cultura milenar. Do Rio de Janeiro ao Peru e à Bolívia, este road-doc recolhe sinais e discussões sobre a nova democracia sul-americana. Quando se move, Pachamama é dominado pela exuberância da natureza. Quando se detém, são os rostos que falam, com palavras ou com silêncios nos quais se podem ler muitos significados.

O País de São Saruê Vladimir Carvalho, 1970. 82 min

Documentário sobre a região do Rio do Peixe, na Paraíba, enfocando a exploração do trabalho de vaqueiros e lavradores, assim como das riquezas minerais, num modelo que vem do colonialismo. Inspirado num título célebre da literatura de cordel, o filme contrapõe a utopia e a dura realidade do sertão. Proibido pela censura durante nove anos, foi lançado somente em 1979. Prêmio Especial do Júri no Festival de Brasília. ■ Farol de Bebeto Abrantes, Silvio Tendler e Manfredo Caldas

A Pedra da Riqueza Vladimir Carvalho, 1975. 16 min

A partir de depoimentos de um ex-garimpeiro, conhecemos as rudimentares condições de vida dos trabalhadores de uma mina de xelita no interior da Paraíba. Eles ignoram o destino e o valor da matéria-prima que extraem: o tungstênio, utilizado nos mais sofisticados instrumentos da tecnologia nuclear. ■ Farol de Ricardo Miranda

Pouco a Pouco Petit à Petit. Jean Rouch, França/Níger, 1972. 90 min

Em Ayorou, juntamente com Lam e Illo, Damouré dirige uma empresa de importação e exportação chamada Pouco a Pouco. Ao decidir erguer um edifício, ele parte para Paris a fim de verificar “como se vive numa casa de vários andares”. Na cidade, descobre as curiosas maneiras de viver e pensar da tribo dos parisienses. Acreditando-o louco, Lam parte à sua busca. Em Paris, Damouré e Lam compram um conversível Bugatti e fazem novos amigos. O grupo decide voltar à África para construir a nova casa. ■ Farol de Sandra Werneck

As Quatro Estações Vremena Goda. Artavazd Pelechian, URSS, 1975. 28 min

Através da mudança das estações, somos apresentados a diversas formas de relação dos camponeses armênios com seus rebanhos: habitual, lúdica, épica, etc. As diversas faces da convivência de homens com a natureza. ■ Farol de Eryk Rocha

Recife/Sevilha: João Cabral de Melo Neto Bebeto Abrantes, 2003. 52 min

Duas cidades que, cortejadas pelo poeta, configuram um universo onde cabem muitas referências da vasta produção de João Cabral. O Recife do menino de engenho e do rapaz mundano; a Sevilha do homem feito andarilho por força de sua carreira de diplomata. O documentário entra nessas cidades tendo como guia os poemas, depoimentos e casos narrados de viva voz e de letra impressa pelo poeta. Assim, quer dar a ver o homem João Cabral de Melo Neto.

Vidas Secas Nelson Pereira dos Santos, 1962. 103 min

O drama da seca e dos retirantes nordestinos é sintetizado na saga de Fabiano, sua família e sua cadela Baleia, que se deslocam pelo sertão em busca de sobrevivência. Suas perdas e humilhações se dão sob um sol escaldante e um sistema de economia e poder igualmente duro. O filme consagrou uma estética do sertão e recebeu os prêmios da OCIC e dos cinemas de arte no Festival de Cannes. Baseado no romance de Graciliano Ramos. ■ Farol de Maurice Capovilla, Vladimir Carvalho, Manfredo Caldas, Marcos de Souza Mendes, Sérgio Sanz

Yndio do Brasil Sylvio Back, 1995. 70 min

Compilação de dezenas de filmes nacionais e estrangeiros – de ficção, cinejornais e documentários – revelando como o cinema vê e ouve o índio brasileiro desde quando foi filmado pela primeira vez em 1912. São imagens surpreendentes, emolduradas por músicas temáticas e poemas, que transportam o espectador a um universo idílico e preconceituoso, religioso e militarizado, cruel e mágico.

2 respostas a Sinopses 2010

  1. Juliana disse:

    Não encontrei informação sobre as cópias estarem em película ou em dvd.

    • carmattos disse:

      Nas sessões da Caixa há filmes em película (principalmente os brasileiros rodados em película) e outros em DVD. Todas as exibições do Oi Futuro são em DVD.