Apresentação 2011

Esta segunda edição da Mostra Faróis do Cinema dá prosseguimento a uma investigação sobre a formação do olhar dos cineastas brasileiros. Na primeira edição, enfocamos documentaristas. Este ano, nosso elenco é formado por realizadores prioritariamente envolvidos com o cinema de ficção. Não queremos com isso delimitar fronteiras em territórios cada vez mais hibridizados, mas apenas ampliar o espectro da nossa pesquisa.

Sabemos que não só com filmes molda-se o repertório de motivações para quem faz cinema. Ele é composto também por interações com outros campos artísticos, experiências biográficas e circunstâncias diversas que atuam sobre a criação de qualquer artista. Mesmo assim, queremos apostar na força da memória cinematográfica, seu caráter cultural, identitário e afetivo, como pistas das mais interessantes para compreendermos as escolhas dos nossos cineastas.

A consulta que encaminhamos aos diversos diretores é a mesma desde que a série surgiu no antigo DocBlog. Pedimos a cada um que aponte entre 5 e 10 filmes que consideram fundamentais na concepção da sua própria ideia de cinema. Não se trata de meras listas de melhores filmes, mas de obras cruciais na sua formação, remota ou recente. Pedimos filmes de qualquer época, duração, gênero ou procedência. Cada realizador, é claro, está livre para interpretar esse pedido a sua maneira.

As listas resultantes espelham uma imensa diversidade, com ênfases notáveis nos cinemas novos dos anos 1960/70 e em clássicos brasileiros e internacionais. Mas não só. Elas reservam também surpresas, sendo algumas bastante divertidas. Experimente lê-las pensando nas características e nas obras dos respectivos diretores.

A curadoria desta edição é assinada por Marcelo Laffitte, que idealizou o evento junto com Mariana Bezerra a partir das publicações nos meus blogs. A programação reúne cineastas de larga experiência e outros de carreira mais recente, mas igualmente dotados de personalidade autoral consolidada. Nos encontros em que eles estarão em duplas bigeracionais, queremos aprofundar essa observação sobre quem faz e quem inspira o cinema brasileiro.

Em matéria de filmes, a mostra mantém o mesmo perfil de combinar o clássico e o contemporâneo. Com esse passeio por títulos míticos do cinema mundial e do brasileiro, lado a lado com filmes contemporâneos que refletem aquelas influências em menor ou maior grau, procuramos ilustrar o espírito desse projeto.

Carlos Alberto Mattos

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