Programa TV

por Carlos Alberto Mattos

Faróis do Cinema foi uma série de 15 programas exibida entre 17 de março e 23 de junho de 2015 no Canal Brasil. Foi a chegada à TV de uma enquete surgida nos idos de 2007, no DocBlog, que eu mantinha no portal O Globo. Naquela primeira etapa, eu consultava importantes documentaristas brasileiros sobre os (cinco) filmes que mais marcaram/ impressionaram/influenciaram seu trabalho, sucintamente comentados por eles mesmos.

Na foto abaixo, a equipe de gravação com João Moreira Salles e Silvio Tendler

A equipe com João Moreira Salles e Silvio Tendler

Nunca escondi que roubei a ideia da série “Filmoteca” do blog Ilustrada no Cinema, da Folha de São Paulo (também extinto). Eles publicavam os filmes considerados “obrigatórios” por cineastas e críticos brasileiros. O conceito dos Faróis é um pouco diferente. Não pedimos recomendações aos cineastas, mas comentários sobre os filmes que mais ajudaram a ditar o rumo de sua carreira, sejam de que natureza, procedência, formato ou duração forem. Ou seja, os cinco faróis de sua navegação nas águas do cinema.

A ideia caiu nas graças do cineasta Marcelo Laffitte, que, junto aos produtores Mariana Bezerra, Paula Alves e Eduardo Cerveira, organizou três mostras Faróis do Cinema na Caixa Cultural, em 2010, 2011 e 2014. Os pequenos comentários dos realizadores sobre seus filmes-faróis viraram conversas animadas em torno de cinefilia, diálogos e influências. O guerreiro Laffitte abriu outra frente ao apresentar o projeto do programa, que ele produziu e dirigiu, ao Canal Brasil.

Em seguida a cada entrevista, o canal exibiu um longa-metragem do diretor convidado. A ordem foi a seguinte:

17/03 – Eryk Rocha
24/03 – Anna Muylaert
31/03 – João Batista de Andrade
07/04 – Vladimir Carvalho
14/04 – Ana Maria Magalhães
21/04 – Silvio Tendler
28/04 – Joel Pizzini
05/05 – Sylvio Back
12/05 – Paulo Thiago
19/05 – Otto Guerra
26/05 – João Moreira Salles
02/06 – Eduardo Nunes
09/06 – Vinicius Reis
16/06 – Izabel Jaguaribe
23/06 – Roberto Farias

Veja os programas no site da Globosat

A escolha dos nomes procurou combinar nosso gosto pessoal com a disponibilidade de filmes no canal, já que cada entrevista foi seguida de um filme do diretor. Marcelo Laffitte não mediu esforços e recursos para a gravação das conversas, feitas num estúdio em São Cristóvão. Foram utilizadas cinco câmeras, sendo duas de resolução 4K, que permitiram reenquadramentos e movimentos de pós-produção que resultaram numa linguagem inovadora para programas de entrevistas. A direção de fotografia foi do bamba Jacques Cheuiche. O som direto foi do igualmente fera Márcio Câmara e a direção de arte, de Rafael Targat. Kassim assina a trilha de abertura. Julia Murad cuidou dos meus figurinos e retoques de maquiagem (muito poucos, viu?). A montagem de Rafael Rolim foi excepcional no aproveitamento máximo das falas e na dinâmica dos cortes para um programa que precisava se ater a meros 12 minutos.

É pouco tempo, mas nós batalhamos para fazer uma conversa densa e interessante, ilustrada por trechos dos filmes citados. Esperamos que o mergulho nas referências e paixões desses cineastas tenha contribuído para expandir e aprofundar a ideia que fazemos deles.

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